amigos que curam

Um dia, um desses amigos que vem do céu para ajudar os desconhecidos, responde assim à minha saudade doída de não sei quem nem de onde: “Filha, o mundo espiritual é grande, não se apegue a laços, ame… ” e desde este dia, soube o que é ter coração para receber e deixar ir e também para ir e vir, a dor passou e a mente ficou esclarecida.

Então me dei que conta que a simples conversa que já era uma manifestação do amor e da misericórdia de Deus, continuava operando os milagres de regeneração.

Foi com esperança que ouvi, de outro amigo do céu, ao perceber uma dor antiga que ali, no encontro, de repente, me inflamava, me disse: “Não se cobre, deixe estar, o viver vai curar. Passeie pelas gentes, aprenda a lidar com os agressores e mire, veja e pense no bem que há em cada coisa, em cada um.

Assim, hoje possível passear entre as gentes, reanimada com uma fé que jamais havia sentido.

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O que as árvores ensinam sobre pertencimento e vida | Herman Hesse

Vale do Quilombo, Gramado - RS

Vale do Quilombo, Gramado – RS

Minha vida…

“Para mim, as árvores são os pregadores de fala mais penetrante. Eu as reverencio por viverem em tribos, famílias, em florestas e bosques. E ainda mais as reverencio por se manterem de pé sozinhas. Elas são como pessoas solitárias. Não como eremitas que se escondem de algumas fraquezas, mas como grandes e solitários homens como Beethoven e Nietzche. Em seus mais altos ramos, o mundo farfalha. Suas raízes descansam no infinito, mas elas não se perdem de si mesmas ali, elas lutam com todas as forças de suas vidas por uma coisa apenas: preencher a si mesmas em acordo com suas leis, construindo e erguendo suas próprias formas que melhor representem o que elas verdadeiramente são. Nada é mais sagrado, nada é mais exemplar que uma bela e forte árvore. Quando uma árvore é cortada e revela seu tronco nu e cortado ao sol, alguém pode ler sua história no luminoso e inscrito disco do seu tronco: nos anéis, seus anos, suas cicatrizes, todos os seus esforços, todos os seus sofrimentos, todas as suas doenças, toda a felicidade e prosperidade ali, verdadeiramente escritas, tempos de escassez entremeados nos tempos fartos, os ataques que suportou e as tempestadas a que resistiu. E todo o jovem fazendeiro sabe que a mais rara e nobre madeira, tem os anéis mais apertados, que a altura das montanhas e seus permanentes perigos, no que têm de mais indestrutível e forte, dão as condições ideais para o seu crescimento.

Árvores são santuários: quem quer que saiba falar com elas, ouví-las, pode aprender a verdade. Elas não pregam lições e preceitos. Elas pregam, sem temer particularidades, as antigas leis da vida.

Uma árvore diz: um grão está escondido em mim, uma faísca, um pensamento, eu sou vida, da vida eterna. A tentativa e o risco da mãe eterna me conceber é única, única na textura e veias da minha pele, única no menor brincar das folhas nos meus ramos, única na menor das cicatrizes na minha casca. Eu fui feita para dar forma e revelar o eterno no menor dos meus mais especiais detalhes.

Uma árvore diz: minha força é confiável. Eu não sei nada sobre os meus pais, não sei nada sobre as centenas de crianças que todo ano saltam de mim. Eu trago à vida, os segredos contidos nas minhas sementes à sua mais última finalidade e não me importo com nada mais. Eu confio que Deus está em mim. Eu confio que meu trabalho é sagrado. Tudo o que vem desta confiança, eu vivo.

Quando somos atacados e não podemos mais afirmar nossas vidas, então uma árvore tem algo a nos dizer: Acalme-se! Acalme-se! Olhe pra mim! A vida não é fácil, a vida não é difícil. Estes são pensamentos infantis… Seu Lar não é aqui ou lá. Seu Lar está dentro de você ou não está em nenhum lugar.

Meu coração anseia soltar suas lágrimas quando ouço o farfalhar nas àrvores à janela durante a noite. Se alguém ouví-las silenciosamente por um bom tempo, o anseio revela seu grão – sua essência, e seu significado. Isso não é tanto uma maneira de fugir do sofrimento de alguém, ainda que pareça. Isso é o anseio por um lar, pela memória da mãe, por novas metáforas da vida. Isso leva ao lar. Cada jornada conduz de volta ao lar, cada passo é um nascimento, cada passo é uma morte, cada sepulcro é uma mãe.

Então, a árvore farfalha à noite quando nos colocamos desconfortavelmente diante dos nossos pensamentos infantis. Árvores têm duradouros pensamentos, duradouros e restauradores respirares, e tão duradouras suas vidas quanto são as nossas. Elas são mais sábias do que nós somos, até que comecemos a ouví-las. Mas quando aprendemos a ouvir as árvores, então, a brevidade, a rapidez, a inocência precipitada dos nossos pensamentos encontrarão incomparável alegria. Quem quer que aprenda a ouvir as árvores, acaba querendo ser como as árvores: não irão querer ser outra coisa senão o que realmente são. Aí está o Lar. Aí está a felicidade.”  Herman Hesse

Hermann Hesse’s Bäume: Betrachtungen und Gedichte Trees: Reflections and Poems

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Coragem | João de Deus a Chico Xavier

Do caos da mesa cheia de compromissos, tento manter o amor e foi como um caminhar numa floresta que cresce por si, na sua ordem que nos parece desordem, que esbarro num pedra, sobre a qual me sento e reflito.

Dela, vou para páginas, de onde, em algum momento, na busca de fé, transcrevi num papel um poema que ganhei de uma amiga, numa dessas horas de luta.

“Se o desânimo procura

mergulhar-te na amargura

Não ouvides, meu irmão,

que a Vida, por toda a parte

É a nova luz a buscar-te

em doce renovação.

Na mágoa que te domina,

Repara a bênção Divina

a brilhar, aqui e além.

Tudo é esperança e beleza

no trono da Natureza

na glória do eterno Bem…

Da noite estranha e sombria,

assoma, envolvente, o dia

e a treva faz-se esplendor.

Do inverno que dilacera,

vem o Sol da primavera

e o espinho revela a flor.

Da serra empedrada e feia

desce o regato que ondeia

em generosa canção.

Do charco de baixo nível,

desditoso e desprezível,

ressurge o calor do pão.

Coragem! – recorda o ninho,

suportando de mansinho,

toda a fúria do escarcéu

E do além, tranquila ao vê-la,

Coragem!, repete a estrela,

sorrindo no azul do céu.

Assim também, cada hora,

trabalha, porfia e chora,

guardando a fé sã.

Padece, mas busca a frente,

lembrando constantemente

que o Dia, volta amanhã.”

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manhã rosa

Cercada de silêncio e luz da primavera, horas livres de pressões dos compromissos, tirei instantes para  em nada pensar e me conectar com as minhas importâncias.

Aos poucos, a menina doce, de vestido rosa reaparece em mim, e como aquela que se aproxima de sua mãe ocupadíssima, silenciosamente espia sua mesa de trabalho, senta ao lado, pega canetas e papéis, rabisca, rodeia, põe as mãozinhas na perna, escora o queixinho no braço e se esgueira para o colo.

Vou ouvindo sua respiração, um tímido murmurar de pedidos, cheio de medo de serem calados bruscamente pelos compromissos. Ela ainda não chama atenção pois não me sente receptiva e se resigna ao colo. E eu me resigno também, contente por conseguir reconhecer a sua presença e embalá-la nesta manhã silenciosa.

Recebo uma mensagem, um “conte comigo, amada” de uma amiga querida. Ela jamais me chamaria de irmã pois isso significaria trazer para a nossa amizade um peso de obrigações. E então me lembro porque me incomoda tanto ser chamada de “prima” ou “irmã”, pois é uma maneira de marcar que temos um laço de obrigação e nenhuma amizade é possível, leituras de quem vive esbarrando no limite limítrofe dos outros.

Volto para a mesa cheia de desordem e reconheço, comigo mesma em meus braços em vestido rosa, que não há limites para o amor e é possível vivê-lo, com ou sem limites, em cada vão momento.

 

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consciência que talha com a goiva do perdão

Furiosa com os resultados do dia, fui a um bom lugar. Queria comer pizza. Desanimada com a recorrência, a insustentabilidade da resolução de progredir e fazer uma história nova. Na primeira garfada percebi que estava sem gosto, insisti mais duas, três, mas não deu: larguei e fui embora. Não era mais isso. Abaixei-me para me escutar. 

Assim que cheguei em casa, a chuva entornou das nuvens e percebi que a consciência não só acusa, ela promove.

No decorrer do dia, fui encarando alguns males e percebendo que me deixei escravizar, que deprecio rapidamente o que construo em mim, esganando as esperanças e somando as experiências em negativos, zerando meus investimentos até me endividar: devo a mim mesma muito mais do que um dia devi a alguém. E devendo tanto, é claro que quase sempre nada tenho para dar ou fico a dever. Assim não dá para crescer, construir, florescer, enlaçar, gerar.

Observando e ouvindo uma colega de trabalho se referir a si mesma impiedosa e injustamente em tudo o que fazia, percebi que, se não é a comparação com outras vidas que nos torna infelizes como se faltasse tudo, é o guardar em si algo do qual se envergonha, pelo qual sente culpa e remorsos, acionando uma raiva absurda que nos leva a agir de forma destrutiva, com loucura até, perdendo a razão ou perdendo os sentidos ao nos entorpecer com excessos de toda a natureza.

Ouvindo a chuva forte, com silêncio ao redor, percebi que preciso de perdão. Perdoar-me. O simples intencionar ao perdão já me desanuviou o olhar: recordei-me do meu amor, das minhas potências, das minhas vitórias e das meus próximos bons combates. Por mim e pelos outros que amo e amarei. Hoje mesmo testemunhei algumas vitórias de quem ajudei e sucessos ao que assisti.

As consequências dos erros e delitos já são duras o suficiente: não precisamos de remorsos, culpa ou punição. Precisamos de perdão e arrependimento, que nada mais é, do que mudar. É urgente fazer todo o bem possível. Penitência é improdutivo e na maioria das vezes, fatal.

Perdoar-me, e que seja possível me perdoar mesmo sem saber do quê. Perdoar-me para parar de colocar meu pé no meu próprio caminho e tropeçar incontáveis vezes diante das pessoas e de mim mesma. Perdoar-me não irá fazer desaparecer toda a depreciação, o subdesenvolvimento, o endividamento que causei a mim mesma e achei que fosse por causa da Vida que não me queria, de Deus que me castigava ou dos outros que me condenavam.

Perdoar-me, me libertará para receber e proteger todas as oportunidades que Deus não cessa de soprar para germinar na minha vida, e finalmente, ao invés de afastá-las, abandoná-las, evitá-las ou matá-las, estarei livre para cuidar delas e de mim, enquanto crescem, florescem e dão frutos.

Como me perdoar? Talvez pelos três bons conselhos que recebi do meu mentor dia desses: sendo cuidadosa no falar e no escutar, positiva no pensar e no agir e receptiva ao bem.

E por fim, ter muita paciência, aceitação e perseverança para sustentar as ferramentas que capacitam para atravessar a pedra e chegar à figura humana que sou.

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Onde tudo recomeça

O costume é abandonar uma ideia quando ela surge, por não sabermos como torná-la real. O que frequentemente esquecemos, é que “o como” é outra ideia, que geralmente cai depois que a outra amadurece pelo pensar, pelo planejar e principalmente pelo lidar com as emoções acessórias do tipo: “isso não é pra mim”, “será que não vou decepcionar?”, “será que vai dar certo?”, “tá, mas… e agora?”

Olhei para o meu painel de ideias para 2011, muitas coisas aconteceram e destas, houve aquelas que excederam as minhas expectativas, pelas quais sou muitíssimo agradecida. Houve ali muitas ideias devidamente desacompanhadas dos respectivos “comos” , seja por  “já sei e já fiz”, seja por “vejo depois”, seja por “sei lá, vou descobrir”. Claro, algumas ideias ficaram no “sei lá”, como sal jogado por sobre os ombros, para espantar azar e trazer sorte. Bom, na maioria das vezes não acontece nada e do nada, outras coisas acontecem.

Pensei em fazer um trabalho bem feito com o meu blog, com alguns dos meus estudos, desafios de trabalho, meus estudos e também alguns dos meus relacionamentos, mas nas correntes da vida que me levam o sal jogado por sobre os ombros, vi-me observando o que elas, passando por mim me trouxeram, outras oportunidades que não vão substituir as ideias levadas, mas explicar seu como: as amigas da adolescência, Maturana, garotos do Sparapan, os open-minds Tedx, amigos do irmão Alfredo.

Aprendi que há coisas que não se jogam para trás, há outras que o devem ser, justamente porque não servem para o momento ou não se conectam com ele e poderão servir para depois. Se servirem para depois, voltarão ou a gente volta para buscar.

Lembrando que nenhuma história de vida é igual à outra, mesmo quando há lições comuns, os ouvidos os ombros são diferentes e pedem tempos e jeitos diferentes, larguei os remorsos pra lá antes que me pegassem para Cristo por muito sal perdido. Fiquei reconciliada comigo mesma, serena, planejando as mudanças necessárias.

Mais um ano pra valer, sinto-me muito mais atenta, muito mais ciente do trabalhão que ele vai dar, mas muito mais confiante e feliz.

Enquanto eu escrevia, estava passando Julie and Julia e no fim, toca a música Time after time (lucky to be loving you) e deixo aqui, uma versão com a voz que mais se aproxima da serenidade que estou sentindo agora.

Sentindo-me tão sortuda por aprender a amar a Vida!

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Uma pluma no sopro de Deus, por Oprah

Tenho muito o que agradecer por 2011 que foi um ano maravilhoso, cheio de descobertas, encontros e realizações, exatamente como gosto de aprender e de viver. Tenho muitíssimo mais a aprender e sinto que 2012 vai ser outra época de muitas maravilhas ou maravalhas – como do texto infantil da escola primária que li e foi o primeiro concurso escolar que ganhei por ler com emoção, com vida. Lembrar disso talvez queira dizer que 2012 é um convite renovado para viver em comunhão com a Vida, plenamente segura de Deus e isso é tão bom, que me faltam mais palavras.

Então, ao pensar na beleza do próximo ciclo, encontrei uma mensagem da Oprah (segue na íntegra em inglês), quem, em momentos escuros de 2009 e 2010, ascendeu muitas de minhas esperanças que me ajudaram a superar muitos enganos.

Aproveite e feliz Ano 2012:

“Estamos todos em busca de uma Plenitude que traz o fim do vazio, traz Graça e uma conexão com algo maior que nós mesmos. Quaisquer que sejam os desafios que enfrentamos, eu sei que a sua fé, determinação e sua decisão de atravessar qualquer que seja a dificuldade, é o mais importante.

Você é o único responsável por transformar sua vida, que em última análise, significa ver-se como um vaso humano para experenciar uma mais profunda essência espiritual como um Ser aqui na terra. 

Todo problema traz uma lição espiritual. Aprendamos a lição e a vida melhora. Não aprendemos as lições e elas ficam mais duras.

Pare de resistir ao que é. Mude de rota ou encontre uma maneira de seguir a corrente.

Esse é o meu novo objetivo: tornar-me o que um professor sufi recentemente compartilhou comigo: “Uma pluma no Sopro de Deus”, fluindo onde eu possa ser mais útil, servindo através da minha vocação.

Então, como eu viajo o mundo, e assumo novos desafios, e tenho dias, como vocês, de altos e baixos, como as ondas do mar, mantenho-me seguindo em frente, reconhecendo que, não importa o que o ano novo trouxer, tudo ficará bem.

Só por essa razão: “Em Deus eu me movimento, respiro e existo.” Atos: 17:28.”

 

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