Ogiva

Reiteradas vezes, nas reflexões e preces do Grupo de Teatro Terceiro Milênio, feitos antes dos ensaios da peça O Amor Salva, tem sido apresentada, pelo plano espiritual,  a Caridade, levando-nos a considerar todas as suas dimensões: social, familiar, interpessoal e principalmente pessoal e íntimo para consigo. Base da manifestação do amor, a caridade favorece a indulgência, a tolerância e , na falta destas, o perdão. Erramos, caímos e enfraquecemos reiteradas vezes – e ficamos muito cansados muito mais por errar, cair e enfraquecer do que pelo trabalho de nos recuperar. Da mesma forma,  reiteradas vezes somos esclarecidos, socorridos e sarados por Deus, sinal e prova do poder gracioso e também transformador – afinal sempre melhoramos – da Caridade. 

Neste período, fui pensando cá comigo no quanto a minha impaciência me torna improdutiva, falando em termos do viver … o fascínio pela ruindade e pela ignorância  cria uma ilusão de que elas sejam mais importantes do que todas as conquistas da bondade que opera em nós e, principalmente, uma impossibilidade de integrarmos esse “mal” ao inteiro da vida, de nós, fazendo-nos evoluir. 

Sábado, no meio do ensaio, li ao acaso Miramez, em Os Horizontes da Fala, a mensagem central , que não me é inédita, muito pelo contrário … : 

“Tu és propriamente um pequeno universo, dirigido por um pequeno deus que és tu mesmo. Tudo é possível para aquele que crê, nos informa o evangelho. Se acreditares que podes viver feliz e fazer algo em favor da felicidade, está vai se aproximando de ti. O ponto chave é começar o plantio de luz no teu campo de carne.

A ogiva da mente fica no topo do crânio e o restante do corpo age enquanto energia concentrada, para levá-la ao grande destino, na longa e abençoada viagem do saber. Compete a cada criatura desenhar na sua própria viagem, imagens superiores que falem bem de sua passagem por onde transitar. A educação não deve ser esquecida em momento algum, é ao lembra-la, é de boa regra que nos esforcemos no sentido de melhorar nossas condições de pensar e de falar.”

Lembrei-me das histórias que ouvimos sobre como começa a obra de artistas: das folhas em branco, o escritor vê a história; do bloco de mármore da tela em branco, o escultor e o pintor vêm a obra; do espaço, das pessoas e da luz, o arquiteto vê a construção. Tudo nasce do olhar, partindo do “em si”. Perguntei-me: o que eu vejo da realidade que se me apresenta? De mim mesma ? O bloco ? As paginas e telas em branco, a multidão, o espaço, as luzes e sombras somente ? Os problemas em torno deles ou do meu olhar ?

Dei-me conta, novamente, que meu olhar ainda é cativo de de passados recentes e remotos, reconhecendo padrões destes e passando instruções para o medo guiar desvios. Sua cela aberta me convida a transcender e assim, ver-olhar o agora e , com as inteligências que minha humanidade confere, passar instruções para o amor me guiar caminhos. Se a cela está aberta, o que percebo, refletindo reiteradamente sobre, é a oportunidade de trabalhar o olhar, treinando a mente para que ela colabore com a alma que sabe o que fazer nesta vida. 

É uma mudança de hábito que requer muita disciplina pra sustentar a atitude, mas muita confiança em si, na vida e em Jesus. 


A visão foi clareando mais – os mesmos esforços para diminuir a frequência dos pensamentos negativos foram direcionados para aumentar a apreciação do que me faz feliz ou satisfeita no momento presente, o que me ajudou a lidar com as dores e equívocos que pequenas experiências do cotidiano me trouxeram a seguir. 

E dai comecei a criar os registros destes passos, voltando à escrita – um dos compromissos da minha alma: já que, começo o dia bem , nas preces de agradecimento e vibrações – cabendo uma série de outros “procederes” -, preciso acabá-lo bem, assim como esta vida. 

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