manhã rosa

Cercada de silêncio e luz da primavera, horas livres de pressões dos compromissos, tirei instantes para  em nada pensar e me conectar com as minhas importâncias.

Aos poucos, a menina doce, de vestido rosa reaparece em mim, e como aquela que se aproxima de sua mãe ocupadíssima, silenciosamente espia sua mesa de trabalho, senta ao lado, pega canetas e papéis, rabisca, rodeia, põe as mãozinhas na perna, escora o queixinho no braço e se esgueira para o colo.

Vou ouvindo sua respiração, um tímido murmurar de pedidos, cheio de medo de serem calados bruscamente pelos compromissos. Ela ainda não chama atenção pois não me sente receptiva e se resigna ao colo. E eu me resigno também, contente por conseguir reconhecer a sua presença e embalá-la nesta manhã silenciosa.

Recebo uma mensagem, um “conte comigo, amada” de uma amiga querida. Ela jamais me chamaria de irmã pois isso significaria trazer para a nossa amizade um peso de obrigações. E então me lembro porque me incomoda tanto ser chamada de “prima” ou “irmã”, pois é uma maneira de marcar que temos um laço de obrigação e nenhuma amizade é possível, leituras de quem vive esbarrando no limite limítrofe dos outros.

Volto para a mesa cheia de desordem e reconheço, comigo mesma em meus braços em vestido rosa, que não há limites para o amor e é possível vivê-lo, com ou sem limites, em cada vão momento.

 

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2 respostas para manhã rosa

  1. Cla Ros Bar disse:

    Se for para te fazer sentir menos incomodada, sinta-se “desprimatizada”!
    Mas lembremos que da genética, feliz ou infelizmente, dessa, não há fuga.
    Beijo!

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