consciência que talha com a goiva do perdão

Furiosa com os resultados do dia, fui a um bom lugar. Queria comer pizza. Desanimada com a recorrência, a insustentabilidade da resolução de progredir e fazer uma história nova. Na primeira garfada percebi que estava sem gosto, insisti mais duas, três, mas não deu: larguei e fui embora. Não era mais isso. Abaixei-me para me escutar. 

Assim que cheguei em casa, a chuva entornou das nuvens e percebi que a consciência não só acusa, ela promove.

No decorrer do dia, fui encarando alguns males e percebendo que me deixei escravizar, que deprecio rapidamente o que construo em mim, esganando as esperanças e somando as experiências em negativos, zerando meus investimentos até me endividar: devo a mim mesma muito mais do que um dia devi a alguém. E devendo tanto, é claro que quase sempre nada tenho para dar ou fico a dever. Assim não dá para crescer, construir, florescer, enlaçar, gerar.

Observando e ouvindo uma colega de trabalho se referir a si mesma impiedosa e injustamente em tudo o que fazia, percebi que, se não é a comparação com outras vidas que nos torna infelizes como se faltasse tudo, é o guardar em si algo do qual se envergonha, pelo qual sente culpa e remorsos, acionando uma raiva absurda que nos leva a agir de forma destrutiva, com loucura até, perdendo a razão ou perdendo os sentidos ao nos entorpecer com excessos de toda a natureza.

Ouvindo a chuva forte, com silêncio ao redor, percebi que preciso de perdão. Perdoar-me. O simples intencionar ao perdão já me desanuviou o olhar: recordei-me do meu amor, das minhas potências, das minhas vitórias e das meus próximos bons combates. Por mim e pelos outros que amo e amarei. Hoje mesmo testemunhei algumas vitórias de quem ajudei e sucessos ao que assisti.

As consequências dos erros e delitos já são duras o suficiente: não precisamos de remorsos, culpa ou punição. Precisamos de perdão e arrependimento, que nada mais é, do que mudar. É urgente fazer todo o bem possível. Penitência é improdutivo e na maioria das vezes, fatal.

Perdoar-me, e que seja possível me perdoar mesmo sem saber do quê. Perdoar-me para parar de colocar meu pé no meu próprio caminho e tropeçar incontáveis vezes diante das pessoas e de mim mesma. Perdoar-me não irá fazer desaparecer toda a depreciação, o subdesenvolvimento, o endividamento que causei a mim mesma e achei que fosse por causa da Vida que não me queria, de Deus que me castigava ou dos outros que me condenavam.

Perdoar-me, me libertará para receber e proteger todas as oportunidades que Deus não cessa de soprar para germinar na minha vida, e finalmente, ao invés de afastá-las, abandoná-las, evitá-las ou matá-las, estarei livre para cuidar delas e de mim, enquanto crescem, florescem e dão frutos.

Como me perdoar? Talvez pelos três bons conselhos que recebi do meu mentor dia desses: sendo cuidadosa no falar e no escutar, positiva no pensar e no agir e receptiva ao bem.

E por fim, ter muita paciência, aceitação e perseverança para sustentar as ferramentas que capacitam para atravessar a pedra e chegar à figura humana que sou.

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