o que escutei da ESPM sobre as emoções

Eu tinha lido o título do curso e não gostei: Gerenciando emoções. Parecia um grande engano – culpa da influência do Prof. Carlos Brandão – e suspeitei que o conteúdo fosse ultrapassado – culpa da influência dos meus professores atuais André Fischer e Joel Dutra. Mas sendo aquela escola, a ESPM, costumeiramente inovadora resolvi arriscar, pela primeira vez por lá. No mínimo eu saberia o que as organizações estão pensando e querendo saber sobre o tema. No mímino também, saberia que elas sentiam que estava na hora de humanizar as relações já que só agora todo mundo se deu conta que a Era Industrial acabou e aquelas que estão ainda no modelo, apesar da formação de seus colaboradores e e seus negócios e serviços, estão com os dias contados.

Classe de pouco mais de quinze alunos, fomos recebidos professor Roberto Hirsh Wow, Bob e sua companheira de trabalho e pesquisa a professora Rubia Sbrama, com alegria que tornou a recepção quase uma cerimônia casual de acolhimento, iniciando depois uma longa e bastante oportuna apresentação entre nós baseados nas percepções.

Pela percepção, chegamos à distinção das coisas e, consequentemente às opções de escolha e às ações e, não foi à toa que a primeira distinção foi separar observação de julgamento. E julgamento, como produto de de nossos modelos mentais e emocionais é o que explica todo o caos e a possível ordem tão sonhada nas relações consigo mesmo e com o outro.

Sendo nossos modelos mentais, resultado dos filtros através dos quais organizamos e damos sentido às nossas experiências biológicas, culturais, por exemplo, formamos a nossa maneira de ver o mundo. E essa maneira de ver, provoca reações orgânicas ou psíquicas: as nossas emoções, que, de acordo com o significado de sua palavra em latim, são movimentos e como tais, devem circular constantemente, exigindo ações.

Pra nós, que fomos formados pra pensar e produzir ações e resultados a partir do “conhecimento transmitido por gente relevante e por nosso racional”, achamos que a emoção é um subproduto se for ruim – algo que, portanto, deveria ser evitado e reprimido -, e se for boa, pode ser que seja admitida e incentivada para dar uma “forcinha” que garanta resultados ou que evite “dor de cabeça”. Foi com grande alívio que comecei a ver como as emoções ali estavam sendo tratadas: como algo de importância que produzimos e portanto, vitais, próprios da nossa humanidade, sem cabimento negar. Pasmei em segredo: ó, Deus, elas têm função! E então, o anúncio que me deu mais um instante de felicidade: emoção não se gerencia, ações que demandam sim. Emoção se lê, se expressa e se usa pra agir. Incluir nossas emoções nos nossos planos de vida e de rotina não é garantia de que as escolhas serão acertadas, mas sim de que estas poderão ser mais saúdáveis, movendo-nos para os lugares e momentos que queremos tanto criar e viver bem.

Como propulsoras de ações, as emoções podem nos levar a remodelar nossa mente, se produzirmos ações que nos levarão a experiências novas e assim, às aprendizagens, ao desenvolvimento; estes são seus caminhos, suas possbilidades. O que as emoções básicas podem gerar de possibilidades e quais as histórias que trazem por trás: medo, tristeza, raiva e alegria?

Tínhamos então que reconhecer pelas consequências quais emoções andávamos ignorando e foi ficando claro que lhes negar movimento forma dentro da gente um o poço tóxico de negativismo, pessimismo, fonte quase invencível de comportamentos autodestrutivos que vai nos empedernindo.

“Como faz?” perguntaram-nos com a música de Arnaldo Antunes, Socorro, para o caso de haver entre nós quem estivesse tão enfezado que sequer saberia que estava precisando de socorro. Claro que pra muitos de nós, inclusive eu, prestar atenção no que a música dizia foi emocionante e nos colocou em estado de alerta.

“Quando o julgamento preside, o entendimento se esconde. Se você criticar suas emoções, jamais será capaz de entendê-las. Sem entendimento, não poderá administrar, apropriadamente, as ações que elas demandam.”

Então, entramos no tema inteligência, especialmente para se gerenciar as ações que as emoções demandam e a maior parte do conteúdo foi baseado no trabalho do psicólogo Daniel Goleman, o autor da Inteligência Emocional, destacando as competências necessárias, a necessidade de equilibrá-la com a Inteligência Racional, que aprendemos a usar com primazia. Também entendemos o funcionamento básico do nosso cérebro nesse contexto, de desenvolvimento e formação como indivíduos e seres sociais.

Nas relações sociais, importava, portanto, aceitar as emoções do outro e ser um facilitador para que elas circulem e gerem ações, o que estabelece a sintonia, que gera conexão e, por fim, a confiança. Tudo feito com influência (honrar a responsabilidade e liberdade do outro, dando-lhe informação válida para que possa tomar as decisões)e não com manipulação (ocultar ou transmitir uma informação de modo atravessado, na intenção que o outro se comporte da forma que desejamos).

Pra mim, saber sobre isso em confiança, era o que faltava para completar o quebra-cabeças da sua conquista, pois não se tratava somente de ter, segundo Stephen M. R. Covey no seu livro O Poder da Confiança, condutas que mostrem ao outro que bom caráter (integridade e intenção) e competências (capacitações e resultados) você tem.

“Ser socialmente inteligente, é ser autêntico, agir de acordo com os seus mais profundos sentimentos e valores, expandindo nossas fronteiras, ampliando a empatia, de modo a entender uns aos outros, apesar das nossas diferenças.”

Desafiada a ler minhas emoções mais profundas e gerar mais experiências que aprimorem minhas inteligências e em muitos assuntos do meu saber, sair do nível da informação, saí de lá com muitas boas memórias emocionais a reativar experiências positivas, como voltar a correr, por exemplo. Fomos tratados com atenção personalizada e levados a experiências idem: nenhuma diferença entre nós causava distância, estávamos tão próximos que o clima não poderia ser outro que não o de renovação do valor do nosso ser e a organização inteira da escola parece humanizada e sem dúvida, competente. Fiquei apaixonada e volto pra lá em setembro pra fazer outras estórias.

Por fim, vimos o filme Minha Vida, de 1993, com Michael Keaton e Nicole Kidman, a clássica história do homem em negação de si mesmo e suas emoções, que acaba morto por elas represadas e transformadas em câncer. Emocionante e pra se refletir com sentimento.

Ficaram no ar, algumas perguntas interessantes saídas de quando conhecemos o funcionamento do cérebro e das nossas funções cognitivas: presos ao mundo virtual, sem contato visual, físico com as nossas redes sociais, como sobreviveriam nossas capacidades de nos conectarmos, essenciais à nossa formação e vivência? Até que ponto nossos contatos virtuais cumprem a função da experiência do relacionamento e construção de opções, de escolhas, a circulação das emoções? Na minha opinião, contato presencial é essencial; o virtual é bom, mas não cumpre a função do outro.

No tema relações saudáveis e tóxicas, tive mais uma confirmação de que a experiência de “lidar com gente é um sofrimento” ocorre por conta de passarmos por cima do que sentimos e do que outro sente, pulando pra etapa seguinte, a das ações. Tornamo-nos máquinas de processar, infantis (sempre acusamos o outro por nos sentirmos “mal” e cobramos que nos faça sentir “bem”) e consequentemente, cheio de opções que não se conectam com quase nada, levando a uma sucessão quase sem fim de erro e acerto que não leva a crescimento e sim a sofrimento e abandono. Tenho muito o que experimentar e habituar nesse sentido, mas me parece que a vida vai ficar mais simples, especialmente nos relacionamentos, se assumirmos uma conduta responsável com as emoções.

Ganhei um convite para participar de uma maratona anual tão logo esteja pronta da Rúbia e um abraço gigante do Bob, que com sorriso muito terno e maroto ao mesmo tempo, me disse: “Sinto que você está em processo de mudança…”

Estou. Volto a andar melhor agora, sentindo livremente a vida, com medo de ser feliz e sendo quando as escolhas derem certo e não deixando de tentar quando derem errado.

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