2011, ano novinho em folha

Dia desses, pareceu-me mesmo que nunca estamos ou estaremos, apesar de intencionados a, 100%. E uma das horas mais duras, senão chatas de constatar isso, não é só quando erramos ou fracassamos, mas quando adoecemos. Daí, constatar é bom pra perceber o quanto temos que aprender, avançar, construir e principalmente, que não precisamos parar. Sabendo também que seja o que for, é o que temos para o momento, prosseguimos para o adiante.

Saindo para um almoço rápido, fui num shopping – que meu professor antropólogo e estudioso de cultura popular não me leia! – a fim de entrar numa frequência mais festiva, especialmente a que nos leva de encontro ao que precisa ser superado e ao que precisa ser fortalecido. Então pra isso, não foi preciso comprar nada mais além do almoço e  ficar atenta, o que me levou a um idoso, cego, parado no meio do corredor não muito transitado pois era de bancos, balançando suavemente a cabeça para os lados, inclinada pra cima. Estaria procurando ajuda? Aproximei-me e perguntei, recebendo um sorriso de volta, e o pedido para guiá-lo ao seu banco, onde se encontraria com a gerente que o ajudaria em tudo o mais.

Conversando como se fôssemos vizinhos há anos, humor engraçado, entramos e o levei até próximo à porta giratória, onde me perguntou, mudando de assunto de repente, qual era a gravidade do machucado da minha perna. Explicou-me que ouvindo a minha pisada, percebeu que era irregular e que pela respiração às vezes curta conforme o passo, algo doía.

– Está dificil andar por onde anda? – perguntou sorrindo afinal.

Apertei o seu braço sem querer, minha mão foi o meu coração se expandindo e se comprimindo e meu silêncio, o mais sincero relato. A mulher que o esperava dentro da agência o viu e veio buscá-lo, nos despedimos e fiquei com a pergunta pendurada nos ouvidos, a tilintar ao pé deles, o resto do dia.

Um cego viu com clareza a minha resistência se manifestar. Nadar contra a corrente ou a favor não é o dilema e sim, escolher qual a prioridade numa decisão entre ser responsável com os outros ou consigo mesmo. Ser irresponsável consigo mesmo não causaria redenção a ninguém, muito menos salvação. Se não há você, não há responsabilidade com o outro, mas tudo complica quando você é um e o outro são vários.

Espantei os pensamentos pois o ponto não estava ali, no dilema; estava em uma instância, localizada num ponto cego e quanto a isso, nada podia ser feito naquele instante a não ser concordar que sim, estava difícil andar por onde andava.

Quando entrei na livraria próxima a fim de buscar um livro encomendado, ouvi Snow Patrol, Open Your Eyes e parei como se por alguém, para prestar atenção, como àquele homem, que me capturou de repente num laço que não cativava e sim libertava:

All this feels strange and untrue
And I won’t waste a minute without you
My bones ache, my skin feels cold
And I’m getting so tired and so old

The anger swells in my guts
And I won’t feel these slices and cuts
I want so much to open your eyes
‘Cause I need you to look into mine

Tell me that you’ll open your eyes

Get up, get out, get away from these liars
‘Cause they don’t get your soul or your fire
Take my hand, knot your fingers through mine
And we’ll walk from this dark room for the last time

Every minute from this minute now
We can do what we like anywhere
I want so much to open your eyes
‘Cause I need you to look into mine

Tell me that you’ll open your eyes

All this feels strange and untrue
And I won’t waste a minute without you

Fui enxergando com maior nitidez que o futuro podia ser mudado, havia um ano cheio de páginas em branco, novas, para o qual era hora de renovar os votos feitos em 2009 pra mim mesma e compartilhado com amigos e familiares, de que estívessemos plenos de saúde para fazer, cada por si e com todos, histórias novas. De fato, 2010 foi ano de encontros felizes que re-significaram minhas histórias e estórias. 

Comecei a sentir a alegria, certamente mais intensa quando, na mesma livraria tinha descoberto a canção Veleiros de Villa-Lobos, pois estava começando a me ver não como a uma ideia, mas como alguém real, que como todos os outros, é absolutamente incomparável e por isso, único. 

“Então, para 2011…

Desejo que você se encha de inspiração e se engaje na transpiração de escrever uma história nova, totalmente sua. Uma história cheia de colaborações felizes das pessoas que caminham lado a lado de você, umas à frente te guiando e outras atrás, te seguindo, mas todas conectadas e muitas, especialmente, que amam você.

Desejo saúde!

Saúde nas relações familiares, pessoais, profissionais, amorosas, consigo mesmo, com Deus.

Saúde nos negócios e nas finanças.

Saúde para o seu corpo, meio de transporte da sua alma para chegar aos destinos sonhados.

Desejo saúde para que você não se detenha por miudezas e se mobilize para o que está à frente, pois antes de tudo, nasceu no seu coração: acredite em você, mas não se engane, é bom ser sóbrio.

Só podemos fazer o que há pra ser feito no Agora, quando o Presente é nosso. Desembrulhe, desenlace, use e lembre-se: muitos males nos acontecem – a maioria nós mesmos causamos – que ameaçam nossas crenças e esperanças.

Se temos como impedir, temos também como remediar, temos como reconstruir.

Cabe a quem vive, a quem sonha, escolher entre força e fraqueza, entre saúde e doença, entre remédio e fim.

Quando for difícil ver o que será melhor pra você, utilize a fé que, segundo Hebreus, ajuda-nos a ter certeza daquilo que não vemos e a prova daquil que esperamos.

Saúde! Pois onde houver saúde, haverá amor, paz, felicidade, realizações e novos sonhos.

E diga-me que você abrirá seus olhos pra ver tudo o que é você e o que estará construindo dia após dia, e escrevendo, página após página.”

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