do fim pra outro começo

Acordei sem querer muito cedo; totalmente indisposta e com dores por todos os lados fui devagar arrumando as coisas pra escola. Sobrou tempo para ver emails, notícias, talvez rir um pouco das graças alheias. Mais um aniversário de morte das 3000 mil pessoas que trabalhavam ou passavam pelo Word Trade Center em NY, notícias e nenhuma graça, muito pelo contrário. O mal estar persistiu e fiquei quieta um instante olhando os passarinhos brincarem nas árvores à frente da janela; há certas luzes que iluminam não o que você pode ser, mas o que te falta.

Saí atrasada mas acompanhada pelas minhas melhores intenções: como a semana foi curta para planejar uma roda sobre esportes de luta, levei algumas revistas da Superintessante afim de fazer uma roda com os alunos da 8ª série sobre a curiosidade e o questionar, começando por mediar como o videogame surgiu – diz a revista que da brincadeira, do comércio e voilá: Atari. O que eles poderiam criar e descobrir se fizerem mais perguntas por aí?

Nas paradas do caminho, fui tentando falar com o coordenador da fundação, que havia me ligado na última quinta avisando que sim, poderia passar na escola para convidá-los a vir para a roda sobre videogame e assuntos superintrigantes. Pedi pra ele fazer as perguntas: O que aconteceria se a gente não morresse? O que aconteceria se não existisse a lua? O que aconteceria se a gente vivesse debaixo dágua? E ele, por fim, levaria um livro infanto juvenil de sugestão sobre curiosidade que poderia ser encaixado, sem problemas, conforme evoluíssem no diálogo. Pedi também para que verificasse a caixa de livros, que na última vez não havia sido deixada na sala de aula.

A escola estava em obras no jardim e a sala que costumávamos usar, aberta. Ninguém. Sala mais suja do que de costume, sem a caixa de livros, nada. Sentei numa das cadeiras e tentei ligar novamente, esperei. Resolvi ir, talvez tivessem ido embora ou não tivessem aparecido. Quando passei pelo jardim, notei – novamente – que nenhuma margarida tinha florecido. Engraçado que a esta altura do mês, no ano passado, o jardim estava cheio delas. Tinha de plantá-las eu desta vez ou é um sinal de que o trabalho por aqui acabou?

No caminho de volta, não consegui pensar em nada, o dia estava lindo, céu sem nuvens, muito sol, (boa umidade), e dentro de mim, perguntas que não ousavam se pronunciar de fatos correlatos. O cansaço ia voltando, doía. Talvez por causa das perguntas, prestei atenção no que estava pichado, em letras grandes, no muro da ponte onde eu passava: “Esqueça seus sonhos, veja a realidade.” Ri, não quero ser produto da circunstância, mas tinha que lidar com ela de outra maneira. Mas será que lidar de outra maneira faria com as estórias vividas deixassem de ser curtas como um conto? Não com menos amor, mas … por que os bons encontros tinham que ser tão curtos? Onde estou me enganando? É uma prova de amor a qual sempre fracasso ou um claro aviso de que não é por aí?

Talvez não seja por aí, a estrada esteja interditada, considerando outras portas que se fecharam. Não tenho muito mais tempo, e por isso não vou insistir mais; vou entender o posicionamento da escola e da fundação pra finalizar e rumar à outra direção.

Não sei se foi a convidativa tarde, a temperatura amena, ou algumas músicas do Legião Urbana (On the way home, Índios, Daniel na Cova dos Leões, Fábrica, Eu sei) mas me senti melhor. Custa-me admitir o fim das estórias, especialmente quando quero continuar por sempre achar que o melhor ainda não aconteceu, mas às vezes o melhor que podia ter acontecido, aconteceu e só. É preciso finalizar. Assim como é preciso seguir em frente por onde estiver aberto. Há outras pessoas esperando, aliás, eu também, por elas.

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