Doutores

De manhã, depois do cafezinho com a minha mãe, despedimo-nos e fiquei esperando o táxi chegar, olhando aquele pedaço de céu lindo e aquele sol abraçando as almofadas do sofá. Não pensava em nada até que o interfone tocou, peguei as sacolas e antes de abrir a porta, mais uma olhadinha pra aquele céu e aquelas árvores: "Mestre Jesus, ajude-me a te acompanhar.", orei.

No táxi, um senhor falante e bem articulado me saudou com alegria: "Bom dia, doutora, pra onde vamos?" Achando o tom simpático, pensei em provocar no mesmo tom : "Pra lugar nenhum se continuar me chamando assim", mas ao invés disso, cumprimentei com a mesma alegria, dei o endereço e perguntei por que me chamava de doutora.

– Ora, quando me desiludi com os doutores que tem um diploma, dirigem entidades que deviam dar o exemplo e não dão, deveriam ensinar alguma coisa que realmente ajudasse as pessoas e não ensinam, percebi que todo o mundo que entra no meu táxi e me ensina alguma coisa, é doutor. Doutor da vida. Todo mundo que eu encontro, ensina alguma coisa eu tento ensinar também. A senhora compreende?

– Tá certo… , todos temos saberes. Desde que todo mundo que ensina, continue aprendendo, não é mesmo?

E daí, no percurso conversamos sobre suas desilusões como advogado, com a OAB e suas esperanças com as eleições que vem aí, do seu candidato e do por que votaria nele e que faria parte do seu gabinete se ele se elegesse. Sobre sua vontade de ajudar as pessoas, de mudar o mundo delas e do desafio que é saber quem ajudar, discernir necessidades reais. Sobre minha fé de que as pessoas podem aprender novas atitudes que o que ela escolhe hoje, não diz tudo sobre ela, mas alguma coisa que leva a outra, a outros, ao mundo, à vida e assim, Deus, vai conduzindo conforme seus propósitos.

– A senhora tem filhos?

– Não ainda, infelizmente..

– Não diga infelizmente, doutora, – disse olhando sério no retrovisor – Na vida tudo acontece na hora certa. Pra que querermos que aconteça fora de hora? Aí sim seria uma infelicidade…

Quando chegamos, trocamos emails e, ao tirar seus grandes óculos escuros e segurar minha mão com força e sorrir, vi seus olhos marejados de lágrimas: "Professora, foi um prazer.". Adoro encontrar pessoas e minha vocação sempre me leva a encontrar algum dos tesouros que elas trazem em si mesmas e descobrir os meus.

Na escola, cheguei cedo, sem saber ao certo, quem encontraríamos pois era feriado e talvez os alunos não viessem, apesar da escola liberar. Chegamos com várias propostas pra roda: um dos coordenadores do projeto na fundação, que também teve parte importante na responsabilidade de trazer aquelas crianças ali por causa do seu carisma, tinha se desvencilhado de um compromisso para estar lá e levou um livro que ele comentara com muito entusiasmo sobre o Ir e Vir de cada um que os levam ao seus respectivos lares. Minha parceira de roda, a arte-educadora, chegara com o livro infanto-juvenil de sua coleção, A Colcha de Retalhos, que falava sobre relacionamento, histórias, memória, saudades, com sugestões de músicas que eu tinha, mas não havia trazido. Cheguei com a bola e o apito, esperando encontrar a caixa da Fundação com o livro "O Goleiro e a Bola" de Jorge Amado e mais um material para colorir e escrever. Embora não tivéssemos um plano definido, estávamos preparados para todo o tipo de situação: uma ou cinquenta crianças. Outro parceiro voluntário também veio e assim, éramos quatro para fazer, ao menos, uma roda.

A partir das 8h30, eles começaram a chegar. Primeiro, o menino que se diz feliz, com quem a coordenadora pedagógica da escola me pediu pra conversar pois teve dificuldades naquela semana pra entregar as lições da aula de História – apesar de frequentemente andar de cabeça baixa, não tomar iniciativa das leituras e falar pouco, quando instigado a dizer algo sobre si mesmo, sempre dizia, abrindo um sorriso muito brilhante de boca e olhos, que era feliz.

Depois chegou o menino da geladeira, e assim, ambos me ajudaram a preparar a sala como de costume. A coordenadora, que havia chegado pra dar um alô pra todos, avisou-me que ele tinha feito uma coisa muito importante na escola naquela semana e despediu-se, pedindo pra que contasse. "Fruto da roda !" disse ela animada. Ele ficou envergonhado e disse que não queria contar pois não sabia o que dizer nem como dizer. Tentei incentivá-lo, dizendo que eu tinha ficado curiosa e se ele tinha feito uma coisa boa, eu adoraria saber e aprender com ele. "Eu conto professora, mas agora não, não consigo."

Várias crianças, de 10 a 16 anos, foram surgindo, talvez umas trinta. Esfreguei os olhos pra ver na realidade o que eu tinha visto em sonho: vieram no feriado em busca do que as rodas de leitura tinham pra dar. Boa parte deles voltou e acho que não fosse o feriado, os cinquenta da aula passada teriam vindo. Por fim, da minha roda habitual, vieram os dois meninos, mais dois novos integrantes da aula passada: o menino-leitor da 8a. série e um menino muito falante de 12 anos, da 6a. série. Decidimos dividir as rodas em 2, mantendo a variação das idades, o que fazer? A experiência poderia ser boa.

Na nossa roda ficaram 6 meninos e 8 meninas – de 10 a 16 anos, sentados nas carteiras, observando-me terminar de colocar os panos coloridos sobre elas. Resolvi perguntar se eles sabiam pra que os colocávamos. "Pra não sujar a carteira?", "Pra não sujar os livros?" Somos muito ensinados a ser utilitários com determinadas coisas, e pouco com nossas necessidades básicas de afeto, carinho e atenção. "Pra alegrar o ambiente, a gente.", respondi. Uma das meninas respondeu de imediato pegando um tecido de listras azuis: "Este aqui não alegra nada.". "Você pode trocar por outro, se preferir. Tem este: mostrei um vermelho de bolinhas com botões pregados.", "Não, pode deixar.", respondeu.

Perguntamos os nomes um do outro, uma coisa que gosta de fazer, uma qualidade, idade e defeito. Um dos meninos de 13 anos disse que sabia dançar Michel Jackson e outras meninas disseram que dançavam com ele. "Vocês querem fazer uma apresentação na próxima roda?", perguntei. Toparam.

Adoro dormir, odeio ler, não gosto de nada, não tenho qualidades, sou briguenta, foram as declarações mais fortes. A menina de 12 anos que disse odiar ler, enfatizou isso com caras, bocas e gestos: "Odeio ler em silêncio, odeio ler em voz alta, odeio que leiam pra mim !". "Eu também não gostava de ler, mas eu tinha mesmo era preguiça.", respondi naturalmente. "Mas você vai ver que a gente lê diferente. Como gostei que você deu sua opinião, vai ser a Ouvidora da nossa roda. Todo mundo vai falar pra você o que realmente achou de ler." Ela sorriu, fez pose de importante e concordou em participar.

Então, apresentados uns aos outros, começamos a mediação do livro A Colcha de Retalhos, conduzida pela arte-educadora. Rodas com mais de um voluntário são otimas, pois são duas percepções mantendo a atenção em cada um para sempre corresponder aos minimos gestos, mantendo-os incluídos no diálogo, descobrindo-se parte viva do processo de aprender e ensinar.

Percebi logo que três dos meninos, os mais velhos começaram a se entediar e se distrair. Escrevi-lhes bilhetes perguntando pra um se faria uma redação do que tinha acontecido na semana, e para os outros de como ele gostaria que fosse a aula que vem. Ora escreviam ou desenhavam a resposta, ora prestavam atenção à história. Queriam música e dança para a próxima aula.

No avançar da mediação era impressionamente a participação – especialmente da menina que odiava ler: falando que cada retalho de tecido era uma história, ela se lembrava de várias histórias e contava pra todos. Coloquei o tapete colorido que eu tinha montado com tecidos no chão, no meio de nós, para adornar a história. Para se adornarem e, depois disseram, também proteger do frio, as meninas pegaram os tecidos da carteira e se enrolaram neles, como um xale, depois brincando como se fosse um véu. Um tempo depois, dois dos meninos se sentaram nele. Camila e eu resolvemos sentar no tapete colorido também e resolvi fazer um pano colorido de xale.

A história falava de memórias, lembranças, relação com a avó, afeto. Aos poucos cada um contava uma história e aos poucos foram se manifestando para ler trechos da história para os outros. Outros 2 meninos se sentaram perto da mesa onde estavam os lápis coloridos e papéis e ouvindo a história, começaram a desenhar.

Ao final, tivemos até que decidir no par ou ímpar quem lia a última parte do livro. No jogo, discutiram que não estava certo, que tinham que fazer de novo e então, o menino feliz, que permanecia de cabeça baixa, levantou a voz e a cabeça, dizendo: – "Eu leio !"

Terminamos, "Gostaram da estória?", "Gostamos !"

Trocamos um abraço coletivo, e no abraço individual, dei em cada uma das meninas daqueles que rodopiam. Gritinhos, abraço é bom, girado então, melhor ainda.

Enquanto arrumávamos a sala, algumas meninas ficaram pra ajudar, outros meninos pediram a bola emprestada pra jogarem um pouco no pátio. Depois que todos se foram e restava só o rádio pra desligar, o menino, que no ano passado havia expressado numa composição que se sentia como uma geladeira, trancado e vazio, veio correndo preocupado pois tinha esquecido a blusa. Sentei sobre uma das carteiras e o olhei sorrindo. Ele, que ia saindo, parou, sentou na outra próxima e começou a contar o que tinha acontecido naquela semana de bom.

Ele não estava gostando da bagunça da sala, da falta de respeito ao professor, estava com dificuldade de concentrar pois depois que repetiu de ano, entendeu que tinha que estudar mais se quisesse ser alguém na vida, contou. O que ele fez de extraordinário além de se conscientizar do que era importante e se incomodar com a bagunça, foi pedir ajuda da diretoria pra fazer alguma coisa pois ele não estava conseguindo aprender.

– E tem mais professora, não gostei da roda de hoje, tinha muita criança e muito barulho. Eu não gosto de barulho e preciso de um lugar calmo pra estudar, por isso gosto de vir pra cá. Outra coisa, ele (disse do menino seu amigo, com quem falei sobre uma ocorrência com o professor de história daquela semana) está errado, não foi o professor que errou. Se ele se interessasse mais pela aula, se tivesse aceitado a minha ajuda, não teria passado por tudo aquilo, não.

Contou sobre a amizade deles, que frequentavam a casa um do outro, as famílias eram amigas e que seu amigo frequentemente era descuidado com as lições, sendo ele quem o ajudava sempre.

– Entendo. Também vejo que ele parece ser feliz também por ser seu amigo. Mas o que aconteceu, é visto por ele de outra maneira porque tem suas razões, acho que podemos ajudá-lo a não se meter em encrencas o incentivando a fazer as coisas por si mesmo, o que você acha?

– Não sei, professora, mas vou ajudar.

– As pessoas são capazes de mudar, – disse-lhe retomando o assunto da aula – só é preciso um pouco de perseverança, tentar e principalmente, acreditar que elas podem. Acreditar em alguém é muito poderoso, sabe por quê? – perguntei encantada por aqueles olhos atentos e brilhantes. – Porque é a mais pura verdade que as pessoas são capazes.

– É mesmo, ele até decidiu ler hoje !

– É mesmo foi a primeira vez que ele leu !

– Não, professora – me corrigiu – ele já tinha lido outras vezes, mas hoje foi a primeira vez que tomou atitude.

Fiquei admirada com aquele posicionamento, falava com segurança, mas lutando muito contra sua timidez, dava pra ver pelas faces ruborizadas. "Tá certo, doutor!" pensei com um certo orgulho. De um menino que se achava trancado pra vida e vazio como uma geladeira há uns seis meses atrás, estava seguro em dizer o que pensava, expressar suas avaliações que não eram totalmente equivocadas. Os estímulos que demos na roda foram realmente transformadores, pois conseguimos despertar nele a vontade de superar aquela auto-imagem. E ele estava conseguindo.

– Bom… você pediu ajuda pra diretoria, o que você acha que vai acontecer agora?

– Sinceramente, acho que nada. Não que a diretoria não possa fazer alguma coisa, mas é porque aqueles moleques e aquelas meninas não tem jeito não.

– Você já tentou falar com eles?

– Não porque eu não sei chegar e acho que não vai adiantar, professora. Tirando uns dez que ainda tentam prestar atenção, o resto, uns trinta, não tem jeito. Eles só vão aprender quando repetirem de ano, que nem eu: só aprendi depois que repeti.

– Cada pessoa aprende as coisas de um jeito diferente, depende muito do que acontece com elas, de como elas vêem as coisas, podemos ajudá-los a mudar a situação, descobrindo maneiras diferentes de tentar.

– Fazer o quê ?

Eu não tinha uma fórmula, a solução roda dependia da participação daqueles alunos e a maioria não ia. Resolvi propor a interação dele com a sala, através de um dos talentos dele, que era escrever. Ele escrevia bem sobre como se sentia, podia começar a transformar aquele ambiente dando mais de si durante as aulas, de maneiras diferentes das que sabia.

– O que você acha de escrever uma redação sobre como se sente com a sala, como é importante pra você aprender, uma ideia em que você acredita e ler pra sala? – como ele nada disse, continuei. Se você quiser ajuda para bolar o tema, posso fazer. Você vê uma aula de um professor que possa ajudar a sala a ficar em silêncio e lê, peça a colaboração deles para que possa prestar atenção na aula, dizendo que é importante pra eles, como você mesmo disse. Nem todo mundo vai entender, nem todo mundo vai mudar, mas vai começar a fazer a diferença.

Ao invés de fugir ou falar um "tá", daqueles com intenção e sem compromisso, ficou pensativo, se agitou.

– Mas se não adiantar?

– Não saberemos se não tentar e além de tudo, vamos descobrindo o que fazer depois. E então?

– Ai, professora, tenho vergonha – disse como se tivesse que ler para uma classe de 40 pessoas dali a cinco minutos.

– É super normal, todos temos. Mas podemos enfrentar a situação e ganhar uma bela duma experiência. Topa?

Balançou a cabeça que sim.

– Você pode fazer a redação essa semana e trazer na roda que vem? Pra treinarmos, você pode ler para os seus colegas de roda, sim?

Balançou a cabeça que sim outra vez, dei um abraço e disse como eu me orgulhava e que acreditava nele, fariamos alguma coisa juntos – a nossa atenção, penso, é para o que ele for descobrindo nas iniciativas, deverá fortalecer a sua vontade de estudar independente das circunstâncias. Saiu e eu fui também, depois de pegar mais um bolo de fubá com a esposa do caseiro.

Tínhamos um desafio grande pela frente: envolver aquelas diferentes pessoas na construção de sua autonomia e no interesse em se desenvolver. Um campeonato de Chute a Gol começado que queriamos encerrar numa visita ao Museu do Futebol, um show de talentos que fariamos na aula que vem, o compromisso de continuar aumentando o grau de dificuldade das leituras aos alunos da 8a. série. Interesses diversos que devemos harmonizar. Numa primeira avaliação, era inevitável pensar em reformas: fazer com que a roda tivesse elementos dinâmicos se relacionando em redor, utilizadas de forma interdependente para reforçar valores, a autonomia, o interesse em estudar.

Nossa roda estava expandindo e não indo necessariamente na direção que prevíamos, mas em várias outras, com intensidades variadas, pedindo pra serem incluídas. Num primeiro momento pensei: é hora de repensar o formato que eu tinha proposto de ambiente – parecia que não dá mais pra ficar na sala com 15 carteiras em círculos. Precisávamos de um espaço múltiplo pois nos transformamos num encontro de vários mundos, que ao mesmo tempo, tem múltiplos interesses em constante mudança. Mas depois comecei a ver que podiamos perder o propósito: eles precisam ser instigados a dar atenção, sustentar o interesse em algum assunto lido ou falado, refletir, analisar, entender, conhecer o novo, se auto-avaliar. Se meramente seguirmos seu movimento, futebol, música, dança, não conseguiríamos encaixar os livros, pois em todos só o movimento sinestésico interessava.

O desafio, pensei, era seguir o movimento deles procurando provocar o encontro com o movimento que começamos, senão, viraríamos o "pão e circo". Trazer o novo que eles evitam – ninguém gosta de novidade – e provocar experiências mistas, até conseguir depurar mais na leitura, nas reflexões, nos diálogos, prazeres e ferramentas importantes que eles não conhecem e, infelizmente muitos de nós não. Lembrei-me de uma matéria da revista Vida Simples que, ao falar de Sócrates, dizia que os alunos da época tinham aulas de debate, diálogos, pra aprender e expor suas convicções e vencer pelo argumento e não pelo poder, pela força ou pela corrupção. Do mesmo fala o filme O Grande Desafio, com Denzel Washington, produzido pela Oprah.

Encontrar uma forma de aproveitar a manifestação para construir algo a altura, em termos de desenvolvimento pessoal e em termos de realização, remete-me a um esforço conunto das diversas faixas etárias e envolve a comunidade. Mas era imprescindível resgatar a identidade deles, seu "bem-estar consigo mesmo", a vontade de cuidar de si, desenvolver-se, para então, construir um sentido que se materializa em bem, algo fora, como por exemplo, a reforma e a atividade da biblioteca do colégio.

A vida é mesmo dinâmica e cheia de surpresas.

Satisfeita e feliz em ver que a lealdade ao ideal faz qualquer esforço prosperar. O amor que havíamos trocado naquele encontro com todos ali, as atitudes que vi dos alunos, o apoio entre nós, voluntários e a fundação, estava fazendo aquela bela idéia funcionar.

Tenho aprendido que o esforço e a perseverança devem ser diretamente proporcionais ao ideal, assim como ao tamanho das dificuldades, vistas então, como uma força que puxa pra baixo, jamais ignorada – o que nos faria perdidos no espaço – e sim, auxiliadora pois utilizadas pra nos manter em contato com a realidade, evitando nos soterrarmos nela, utilizada pra caminhar sempre em busca do que está à frente, de preferência sem perder nada do Presente, que, concordo com Eckhart Tolle, é o que temos de concreto em termos de tempo disponivel e certeza.

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Uma resposta para Doutores

  1. Antonio Claudio disse:

    Sempre um prazer ler um "cadinho" de sua vida que divide conosco. Grande beijo.

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