Tapete mágico

As margaridas floreceram hoje, a primaveira finalmente chegou; os passarinhos cantaram menos, mas voavam juntos, de par em par, próximos às borboletas que queriam descansar nas hortências da janela próxima. Sons de sábado de festa, risos de crianças enchiam minha casa, como se uma revoada de pássaros entrasse pela janela.

Terminei meu tapete mágico com retalhos diversos de tecidos, tapete para sentar, ler, conversar uns doze adultos e, em outra vez, umas vinte crianças pequenas. Estendi na sala para vê-lo e mal acreditei que fui capaz de fazê-lo: não sei costurar, não tenho máquina própria, foi na mão, mas ficou lindo, considerando que não sou nada profissional neste território. Mal vejo a hora de reunir aquelas pessoas para lermos juntos.

Escutando os três últimos álbuns do U2, ali, fazendo uma arte, me senti cheia de amor e uma sensação de bem-aventurança que não tem preço: uma sensação de proteção, de estar a salvo; não refugiada dos desafios que me atiçam no escritório, na faculdade, na família, na fundação, mas sim, no comando. Aquele comando saudável, que não deixa você enlouquecer, não oprime os outros, e garante espaço para que coisas que a gente não sabe resolver ou não pode, resolvam-se por si só, no seu tempo.

Vi meus emails, nenhum recado dos amigos ou parentes, ninguém on-line e muitos emails sem ler que vou colocar em dia uma hora. Tinha um da Oprah, anunciando sua revista mensal e o delicioso artigo em que ela incentiva as pessoas a ficarem atentas ao seus propósitos de vida, pois os chamados não param. Preste atenção.

Não conseguir pensar no assunto, pra mim, é um sinal de que a vida está assumindo a frente e estou mais perto do que consigo imaginar, de tudo e de todos com quem sonho, para juntos, celebrar a vida.

Talvez seja por isso que nenhum dos meus compromissos de hoje de manhã deram certo: era para que o terminasse. Terminado, uma vida real começada mostraria sua prova de existência.

Preparei meu lanche: pão, salada, frutas, revi o filme Mamma Mia – amo de paixão seu enredo, suas músicas, suas cores. E revi a joaninha de casco vermelho e pintinhas pretas, que de vez em quando, aparece em casa, bem nas horas em que me sinto feliz.

Engraçado, pela primeira vez, não estou esperando nada, nem ninguém, voando no meu tapete mágico, como na história das Mil e uma Noites ou apenas dançando a canção, eu e a joaninha que voou para o meu braço:

"Tonight the
Super trouper lights are gonna find me
Shining like the sun
(sup-p-per troup-p-per)
Smiling, having fun
(sup-p-per troup-p-per)
Feeling like a number one."

 

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Uma resposta para Tapete mágico

  1. Cla disse:

    Fico feliz que as "minhas" margaridas a tenham feito sorrir…Que tal uma foto desse super mega tapete?Conseguiu atiçar a minha já bem pequena curiosidade. Coisa de artesã, talvez?Beijo!

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