Lado direito, lado esquerdo

Ontem, almocei em companhia de pessoas que acabei de conhecer num encontro que terminaria com a palestra de uma psicológa e sexóloga sobre sexualidade –  como responder a dúvidas em todas as faixas etárias.
 
Na minha mesa, duas moças de 18 anos, cheias de vida e interesse pela vida, uma colega de pesquisa e uma das organizadoras do evento, que dava aulas de artes, em animada conversa. A organizadora, uma bela e generosa pessoa me disse que conhecia um trabalho interessante sobre um grupo que contava histórias por meio artesantos com retalhos de tecidos e me passaria depois. Fiquei atenta não apenas pela boa notícia de conhecer um novo grupo de trabalho, mas pela atenção que me prestava, com sorriso no olhar: não era uma atenção contemplativa, era algo como examinar-esboçar-escolher as cores-compor-ver a obra, com prazer. Essa atenção me capturou antes de eu começar a pensar – o que no meu caso, a kind of non-stop thinking mind – é um grande feito. Então, correspondi totalmente.

Percebi que a precupação em desenvolver meus talentos "arteiros" com faculdade – não descartando a importância de estudar artes em nível acadêmico – não me permitiu o desenvolvimento nessa área, pois a habilidade artística é muito sensível à submissão a modelos, rótulos, o que pode comprometê-la terrivelmente. Era algo como condenar uma criança por não ter feito uma figura considerada parecida com um objeto segundo sua descrição racional; disse ela, por fim, que gostaria de fazer um curso de desenho utilizando o lado direito do cérebro, onde estão as emoções, para quem, por exemplo, o azul não seria necessariamente o azul convencional – um desafio para libertar a criatividade, os dons, do cativeiro da razão, do "tem-que-fazer-assim". Lembrei, emocionada que em algum momento da infância eu parei de desenhar o que imaginava e fiquei desmotivada em fazer outras criações como esculturas com papéis ou tecidos: só conseguia fazer desenhos copiando o que eu via. Na época, parecia que tinha perdido a força, mas era a motivação, já que todos queriam desenhos que entendessem e totalmente perfeitos.

Agradeci, sem mencionar que reconheci sua disponibilidade em me trabalhar naquele curto momento, eu acabava de ganhar outro grande bem que me libertava de mais alguns nós e precisava de um tempo para processar seus efeitos, especialmente depois que eu experimentasse o tal curso de desenho com o lado direito. O mais impressionante do desfecho desse encontro, foi que por mais um tempo, ela continuou me prestando aquela atenção sorridente de quem via e entendia algo sobre o qual não tínhamos falado e eu, me senti totalmente débil e cega: em relação ao que ela via, e ao que eu acabara de descobrir naquela conversa – intuí, pressenti, tateei, escutei, mas não enxerguei ou me conscientizei.

Vou tendo idéias – criando, trabalhando, pesquisando, estudando ou escrevendo – do que aparece no meu coração, na verdade. Ainda vou descobrir como enxergar: não para contentar a vaidade, mas para não me desarmonizar com as pessoas que estão de olhos bem abertos, tentando fazer o melhor e precisam de ajuda e, principlamente, fazer mais e melhor, afinal, quem tem um bem, tem o dever, penso, de retribuí-lo à sociedade da melhor maneira possível. Por exemplo, quem é muito lindo fisicamente, deve proporcionar sua imagem sim e salve George Clooney…ai, ai…

A palestra sobre sexualidade, com a sexóloga Simone Nogueira, foi muito bem mediada e seu efeito foi libertador. Libertou ao menos quem participou e sobre as questões que trouxe, dos tabus, medos e preconceitos. O tema sexo, ficou mais simples abordar e tratar sem neuras. Entendimentos sobre o que surge em cada faixa etária foi valioso, assim como as ferramentas para entender perguntas ou situações de uma forma que nos ajudasse a encará-las com naturalidade, pois era um tema sobre o nosso corpo como um outro qualquer.

Percebemos o quanto somos mal resolvidos sobre o assunto e até mesmo cheios de preconceitos, que a várias morais religiosas ou familiares promovem. Nesse caso, racionalizar as questões que nos são feitas, especialmente sobre riscos que podem ameaçar a vida, é essencial. Lado esquerdo do cérebro: ativar.

Amei, especialmente por ela ser alguém de mente aberta "sempre é bom ampliarmos o repertório das pessoas, e o nosso também" e humana "se ninguém explica a origem da heterosexualidade ou do apaixonar-se por uma pessoa, de forma universal e incontestável, por que devemos explicar a origem da homossexualidade ?" ou " o abuso sexual acaba quando a vítima diz não e pronto.", e, enfim "qualquer pressão sobre início da vida sexual pode ser aliviada quando a pessoa entende que deve começar quando estiver pronta, através de escolhas que preservem seu bem-estar, sua saúde, sua satisfação pessoal, um relacionamento saudável sem perda do seu senso do valor de si." Sem dramas, só conhecimento, posicionamento e ação, em prol da vida e do valor humano. Falar de sexo não é um ato pornográfico quando a idéia é instruir e preparar.

Fiquei muito feliz e agradecida pelo encontro, Deus não pára me reformar – ou diria, liberar espaço dos entulhos para a minha luz pessoal. Acordei com uma energia nova e boa, e resolvi compartilhá-la com algumas pessoas queridas que estão próximas nas minhas jornadas ou ao alcance do meu olá. Escolhi um pensamento de uma jornalista, Marianne Williamson e compartilho aqui, depois de uma tarde divertida com minha mãe e sua amiga de muitos anos, que me viu nascer, para selar a beleza deste fim de semana:

 
"Meu maior medo não é ser inadequado (a)
Meu maior medo é ter um poder imensurável.
É a minha luz, e não a minha escuridão, que mais me amedronta.
Me pergunto, quem sou eu para ser brilhante, talentoso (a), lindo (a), fabuloso (a) ?
Na verdade, quem sou para não ser? Eu sou filho (a) de Deus.
 
Minhas tímidas realizações não ajudam o mundo.
Não há nada de bom, iluminado, em me conter para que as pessoas não se sintam inseguras à minha volta.
 
Sou alguém feito (a) para brilhar, como as crianças.
Nasci para manifestar a glória de Deus que está dentro de mim.
Seu espírito não está só em mim. Está em todos.
 
E quando eu deixo a minha luz brilhar, inconscientemente, dou às outras pessoas, permissão para fazer o mesmo.
Assim que me libero dos meus medos, minha presença, automaticamente, passa a liberar os medos das outras pessoas."
– Marianne Williamson, The Return to Love
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