Rodas de Leitura – Estímulos para uma educação real

Assim como são maravilhosas certas composições de cores nas flores, plantas e animais como peixes e aves, também é maravilhoso constatar como ocorre o desenvolvimento humano.

Os ensinos da doutora Cel, a Celina Bragança, mostram uma composição de cores muito bonita que não está na paleta de cores do educador verdadeiro, mas nas pessoas, seus saberes são suas cores – quanto mais saberes, mais harmonia entre as cores de si e as novas para a sua expressão no mundo. Acredito que o educador auxilia no processo de levar a pessoa a abandonar tudo o que oculta suas cores reais e a faz viver enclausurada, oculta de si mesma.

Na aula, descobrimos os ciclos que compõem o processo de formação da Roda são estágios de evolução não discriminatórios pois cada qual revela o seu valor e propõe uma contribuição pertinente, bem como o papel do mediador e sua liderança.

Fiquei por um momento preocupada com as comparações utilizadas para ilustrar o conceito inicial do processo de mediação de leitura: a mediação no Direito e a reação dos anticorpos aos virus que invadem o corpo. Entendi que o principal do exemplo era reforçar, para o primeiro, a habilidade de conhecer as questões das partes e promover elos de conciliação e o segundo, a habilidade de alertar tudo o que for estranho à harmonia do corpo. Porém, para uma mente menos atenta na escuta, a imagem que poderia prevalescer é, para o primeiro, do juiz que julga e para o segundo, do atacante que trata o outro como adversário, ao associar equivocadamente pois causa uma identificação prejudicial, a desarmonia ao ser ou a doença à pessoa.

Mas uma comparação muito feliz finalizou o ideal do conceito, a ponte, que é construída por nós, mediadores, no primeiro momento, para conectar as pessoas à leitura, envolvendo-as na paixão pelos livros e pelo seu próprio processo de formação. Uma das colegas fez uma outra feliz colocação – que pena, não lembro o nome dela – que para a construção da ponte, os participantes fornecem o material.

Sobre a liderança – um grande alívio para a minha angústia com as minhas limitações: Evitando a liderança centralizadora que causa dependência e por isso limitações e regressões e a liderança ausente que causa independência e por isso isolamento, caos e perdas, ganhamos progresso ao estimular a liderança construtiva que causa interdependência e por isso, reconhecimento de diferenças de responsabilidade entre os participantes, totalmente dinâmica, logo mutável, resultante de planejamento, promove o progresso dos participantes e o bem comum. Optar pela liderança eficaz – a construtiva – não demanda uma competência extra e rara e sim, uma conscientização da capacidade de cada um ser sujeito e do valor de si e do outro para qualquer conquista. Ufa.

Uma vez, ouvi de uma jornalista americana, Marianne Williamson, também filósofa, espiritualista, interessada em formação de pessoas, que muitas vezes enxergamos o que queremos fazer e ficamos ensaiando. Ela simplesmente diz que não há motivo para medo e sim para amor: se conscientize, diz ela, que tudo fica mais simples e natural, saia do ensaio e vá para o palco. Go play.

Pensei, naquele instante, que outra maneira de dar suporte ao processo é associar o primeiro ciclo ao momento em que o mediador sobe ao palco e performa seu papel, convidando os partipantes, que o assistem, a performarem o seu; no segundo, os participantes decidem subir no palco e no terceiro, o mediador desce para assistí-los. É claro que para o ouvinte desatento, essa comparação pode sugerir que devemos interpretar papéis de personagens diversos, não verdadeiros, facetas de desejos vindos de expectativas alheias ou tolas vaidades. Digo, então, que o principal é reforçar que a subida no palco quer estimular o compromisso de vivermos a pessoa real que trazemos em cada um de nós e desenvolvê-la para a felicidade e o bem comum.

Fiquei felicíssima em saber que vou mediar uma turma de jovens e adultos, pois sei o que é ser objeto, atrasar o meu desenvolvimento como sujeito, mas ter esperanças de retomar, já que nunca é tarde para viver o real de si.

Será um grande bem encontrá-los na roda, pois estou mais ciente da minha responsabilidade para com eles, contar com a experiência que tive com minha própria família, tão inteligente com tantos saberes e amor ocultos, e por isso, tão carente de uma educação real, assim como contar da ajuda que posso obter dos experientes na metodologia e também, da prontidão necessária para encontrá-los com paixão, ser humilde e paciente para lidar com suas resistências e dificuldades da ocasião e então, contagiá-los com a jornada única e rica de se descobrirem belos sujeitos – se assumirem e se amarem – de melhoras no mundo, independente das circunstâncias, dos recursos à mão e de seu passado.

Será maravilhoso estimulá-los a despertar para o seu momento e se encantarem com as suas próprias, únicas e instransferíveis possibilidades de futuro.

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