Rodas de Leitura – A Vida chama

Antes eu não acreditava muito, mas a vida chama todos os dias você a ser você mesmo.

Quando eu fiquei cansada dos papéis e das obrigações assumidas, entendi que o cansaço vinha do esforço de me conter a fim de ocupar o meu espaço vital, destinado ao meu ser e suas conexões com outros seres e com a vida; ocupá-lo com um entulhamento sem fim e não-sustentável de afazeres, opiniões e expectativas alheias, vaidades e coisas afins, e disso, não restava nada mais além de engano e esgotamento. Como cantava a Julie Andrews nos braços do Capitão Von Trapp do filme A Noviça Rebelde: Nada vem do nada. Nada do que eu sonhava acontecia. Vazio, afinal.

Foi na reflexão seguinte que eu me dei conta que não havia conexão entre o fato de estar viva e viver. Mudanças eram necessárias a fim de encontrar esta conexão, afinal, eu estava interessada na minha felicidade e em compartilhá-la. Muitas coisas aconteceram desde então, e uma delas, foi o encontro com a proposta da fundação que é de participar como instrumento da vida nos seus chamados, através das rodas de leituras.

Antes de participar do primeiro encontro de formação da Roda, me notei, relembrando pequenos atos genuínos – pura expressão de uma criança ainda livre, o que me ajudou a recuperar um tanto desta liberdade para olhar o cartaz que falava sobre o programa e tomar a atitude de me inscrever como voluntária.

Cá comigo, pensei admirada e entusiasmada: puxa, combina com o que eu queria fazer – sem compreender ainda todo o sentido e a extensão do significado disso pra minha vida: compartilhar a paixão pela leitura contando histórias com recursos lúdicos.

Então, a vida acontece e comecei a ver todos os meus pedidos atendidos, um a um: primeiro, ter um encontro com um educador de verdade que fosse um Ser assumido como tal, livre de papéis, vaidades e interesses egóicos, interessado em revelar outros Seres a si mesmos a fim de que vivam sua realidade e verdade essenciais – e isso só pode ser despertado com amor, sinceridade, humildade e conhecimento. E lá estava a dra. Cel (céu), totalmente presente e irradiando a sua luz e nos ajudando a irradiar a nossa própria a fim de romper com as escuridões provocadas pelos entulhos que a gente acumula por causa da nossa ignorância.

Dos livros infantis espalhados na roda, "Nós" foi o que encontrei e me deu uma sensação de me conectar com as pessoas e minha jornada. O sentimento de viver em terra estrangeira ou ser uma estrangeira pra mim mesma já não tinha mais razão para existir.

A hora de falar sobre as redações da infância, o "Minhas Férias" foi a oportunidade de lembrar do momento em que fui notada como escritora aos 8 anos de idade – eu escrevia com o coração e o que estava escrito era tão bom que minha professora queria experimentar a minha estória – visitar os meus amiguinhos: o caderno de matemática, o lápis, a borracha, a cola e a tesoura, que moravam na minha mala de escola e gostavam de mim. Era o momento de notar que eu também fui uma criança boa, interessante e totalmente amável, como todas são.

A hora da maravilhosa aula sobre a lingua, a comunicação, a leitura, a educação, era a hora confirmação da minha suspeita de que as normas, o julgamento de certo e errado, de fato, inibem o desenvolvimento da pessoa como um sujeito capaz de produzir, de criar, e portanto que sabe e é capaz de contribuir. "Que quem não se sabe Sujeito, é objeto dos outros e das circunstâncias". nos ensinava Celina Bragança.

Da troca com as pessoas, ser notada e reconhecida com uma aceitação espontânea; apreciar as pessoas com felicidade e real desejo de conhecê-las e aprender com elas.

Do texto final do Rubem Alves falando sobre os relacionamentos, nos convidando a abandonar o tênis – vitória que depende do fracasso do parceiro do jogo e o provoca de propósito; nos convidando a começar a jogar frescobol, meio de contar com alguém, nosso parceiro, para cuidar que a gente não deixe os nossos sonhos cairem no chão, jogando para que ambos acertando, ora os segurando, ora os compartilhando, o que coopera para a sua realização.

Fiquei maravilhada, a vida é parceira e me convidava para jogar frescobol com ela.

Foi também como me lembrar que Deus havia me dito no ouvido, antes de nascer : lembre-se de mim e dos dons que te confio para que viva verdadeiramente, pelo amor que conecta uns aos outros e promove o crescimento.

A jornada real começa, enfim. Viva !

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