Nascer

Nesta manhã, foi uma coisa boa abrir as cortinas, janelas e encontrar um tempo cinza, desolado, tão casmurro que não dá pra permanecer ali sem uma blusa quente. Minha mudez manda minha mente inquite calar a boca e meu estado de espírito é de gravidade, quase pesar. Foi então que entrei num estado de aceitação das coisas ruins de um jeito que nada nelas me supreenderia novamente num ataque. Antes pensava que eu era fraca e medíocre, a despeito de todas as minhas vontades e sonhos, impressionável, dona de uma pele hiper sensível que jamais endureceria o suficiente pra me proteger naturalmente, sem que eu precisasse ficar o tempo todo na defensiva ou evitando relacionamentos mais profundos. É uma completa perda de tempo lutar contra as consequencias.
 
Finalmente entendi, que sem aceitar verdadeiramente as coisas como estão, eu permanecia numa guerra constante interior que esgotava a minha energia, a energia necessária pra realmente acreditar, transformar, viver e ser, me importando verdadeiramente com os outros e cooperar com um mundo melhor. 
 
Acontece do meu céu azul ficar cinza, das nuvens tristes esconderem o meu sol,do vento forte derrubar meus vasos de flores, machucá-las e espalhar terra pelo chão. 
 
Durante esta guerra minha, descobri que na verdade não acredito em nada, e preciso escrever isso assim mesmo, para começar a acreditar. O que me faz reagir e buscar todo bem em mim, nas pessoas e na vida é a vontade de acreditar e viver como vivem as pessoas que acreditam. As pessoas que acreditam não vivem num mundo à parte, de fantasia: elas fazem acontecer, interagem com as pessoas sem medo, ficam de olho nas oportunidades e nas crises, continuam de olho nas oportunidades – o que posso fazer para encontrar o que falta? – participam deste mundo, se relacionam com as pessoas em circulos grandes, restritos somente a quem não quer amar. São pessoas que vivem com uma presença, que é a verdadeira responsável pelo florecimento de esperanças e vislumbre de possibilidades.
 
Como as músicas sempre respondem as minhas reflexões, ouvir FEZ – Being Born, do U2 – No Line on The Horizon, completou o meu entendimento. Nascer é lindo, cheio de significados alegres: amor, luz é o começo da jornada de uma vida, uma passagem. Mas tem o lado da mesma face: a gente nasce em sangue, em dor, em choro, às vezes com instrumentos, geralmente pela a cabeça é a primeira que surge na luz, seguida dos pés. A canção diz isso, parece um tanto desoladora, ora parece que te transporta para uma estrada a caminho de um grande enfrentamento – uma guerra, um batalha ? Consigo mesmo com alguém ? – nossa, eles são bons nisso !
 
Pensei nos conflitos no Afeganistão, no Iraque, na tensão no Irã, no Pasquistão, Somália, na fome africana e brasileira, é tudo ridiculamente louco, esforços mal dirigidos, enganos, cegueira, ódio, extermínio, esgotamento. Voltei o pensamento pra minha família, amigos, colegas de trabalho e de pesquisa, comunidades. Não tem jeito: somos alegria, sopro de vida, promessa, sonho, dons, amor e jornada. Mas também dor, renúncia, choro, perda e parada. 
 
Por isso é preciso que cada um se torne real, tome ciência do que há em si, de como as coisas são. Há muito o que fazer e o objetivo é cooperar para que a vida e o amor prevaleçam. Só assim o mundo se transforma.     
 
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