Vibrações

Como se eu tivesse sido repentinamente telestransportada para aquela sala, dei um suspiro de súbito me perguntei: "O que estou fazendo?"
Ali, naquela sala, esperava para fazer um tratamento enérgico chamado reike.
 
Lembrei do meu amigo, que à mesa do jantar depois da aula, me dizia que minha vibração estava desarmônica. " Voce não está sentindo no seu corpo?" "Não…", pensei e não respondi, continuava concordando com a desarmonia porque eu estava prestes a rosnar ao invés de falar, mas essa idéia de vibração me parecia um assunto místico demais para o meu gosto. "Isso vem de você, se não controlar vai atrair o pior. Vá sábado para a sessão de Reike com o Juarez, mesmo que esteja se sentindo melhor." E por fim, me olhando bem dentro dos olhos, disse " Você é uma pessoa de muita sorte: sempre encontra no caminho alguém que te apoia, te dá um empurrãozinho pra seguir em frente. Mas agora é a sua vez de fazer algo por você." Engoli o último pedaço de pão e sorri meio sem jeito. 
 
Do meu lado na sala de espera, uma moça de pouco menos de vinte anos estava com um livro no colo, lendo e anotando, lendo e anotando. Ela se encostou na cadeira, levantou a cabeça pra cima, de olhos fechados: "Campo de força é a irradiação de um volume imaterial ao redor das esculturas materiais." E segundos depois: " O vetor que caracteriza o campo magnético é chamado vetor de indução magnética, B-setinha, e pode ser representado pelas linhas de indução, da mesma forma que o campo elétrico E-setinha, é representado pelas linhas de força. Hum…", continuou, "… eletricidade e magnetismo não são coisas independentes… hum" .
 
Dr Juarez a chamou. Enquanto ela entrava, ele se desculpou pois estava atrasado por causa de alguns clientes que atendeu de emergência. Concordei em esperar, não tinha pressa naquele dia e tentei voltar a ler, sem conseguir.
 
A idéia da vibração ficou orbitando em torno dos meus pensamentos. Pensei no escritório com aqueles jovens recém formados e recém chegados de suas viagens ao redor do mundo, a admiração do meu chefe por eles. Tudo disparou minhas sensações ruins novamente. Senti o calafrio, o filete de desespero no coração a navalhar o meu bem-estar e daí percebi os tremores do meu corpo, aquilo então era a vibração má. Levantei e fiquei andando de um lado do outro pela sala, inspirando e expirando profundamente na busca de auto-controle. Sentei e continuei sentindo os ligeiros tremores. Daí compreendi, que as sensações não eram conspirações armadas contra mim sendo pressentidas, mas sim, meus próprios temores, a avalanche incontrolável das minhas emoções, arruinando toda a minha capacidade de superação.
 
Talvez, o melhor fosse lidar com as emoções numa terapia ao invés de receber uma coisa que eu mal entendia. Essa oscilação do meu estado emocional fazia me sentir em queda. Não a que eu sofreria com um tropeção, mas a que eu sofreria se caísse de um lugar alto, pois o impacto, quase sempre era equivalente a algo que quebra ou fissura alguns ossos, não dá pra levantar imediatamente, como quem só precisa sacudir a poeira e dar a volta por cima.
  
Era a minha vez, entrei na sala e me deitei na cama, fechando os olhos e respirando fundo. Não vi nada, só sabia que tinha um balé com as mãos, mas tive diversas sensações: a de agulhas alfinetando o fundinho do meu coreção onde as inquietações estavam se debatendo, a vontade de chorar, o choro, a calma e o bem-estar. Acabou a sessão e eu estava me sentindo bem novamente. 
 
Caminhando de volta pra casa, recebi no celular uma mensagem do meu primo me chamando pra comer um petit gateau em Caraguá no sábado, antes que as chuvas comecem a cair, escrevia ele. Minutos depois, outra mensagem de uma amiga, quem eu não via há anos, dizendo que tinha visto uma fotos minhas na casa de uns amigos nossos dos tempos da faculdade, tinha sentido saudades. Aquela mensagem era para me dar um abraço, com carinho, Verinha e Duda, seu marido.
 
Como era bom chegar em casa e ver ainda um pouco da luz dia e poder, apesar da cidade e dos prédios vizinhos, ver céu e árvores. Pensei na Verinha e no quanto ela sempre foi uma pessoa… vibrante. Naturamente vibrante, alguém que irradia uma fé na vida e nas pessoas de forma tão natural e leve que parecia totalmente abusurdo não ver a realidade da mesma maneira. Ela não cansava pela intensidade, nem aborrecia por repetição – do tipo afirmações positivas de bolso – ou por ingenuidade, ver coisas boas ou virtudes onde realmente não tem. Ela simplesmente via o que houvesse de bom em volta, nas pessoas e principalmente em si mesma e estabelecia contato – tudo o mais gravitava em redor, e quem estava a fim de bom clima, se via atraido para o seu campo, das boas notícias e celebração da vida. E coisas nunca tinham sido exatamente fáceis pra ela, não tinha nascido em berço esplêndido. Ela era uma das pessoas fortes, sobreviventes que um dia, no meio dos horrores da vida,  olham pra si e dizem: "Não, a vida não é só isso."
 
Daí comecei a entender que minha vibração é um campo gravitacional que só eu posso comandar. 
Harmonia ou desarmonia são movimentos feitos por motivações e orientados por propósitos.
E pelo meu propósito de ser feliz, eu passaria a vibrar positivamente pra mim e para as pessoas a minha volta, atraindo, por isso, tudo que tivesse afinidade com ele, o melhor para as nossas vidas.
Não tinha outra escolha, era comigo ou comigo. Optei por parar de resistir e confiar em mim de uma vez por todas.
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